quinta-feira, 21 de junho de 2007

Um homem

Ele me pareceu mais belo
do que qualquer pessoa
naquele momento, naquele vagão,
com seu rosto marcado
e as manchas de velhice sob os cabelos brancos.
Durante quase uma eternidade olhei-o, sem discrição.
Talvez fossem as orelhas pequenas,
ou as mãos imensas, tortas, trêmulas.
Talvez a roupa azul, uniforme de menino,
o chapeuzinho de tecido pousado no colo,
ou os olhos quietos de quem já viu muito.
Talvez, quem sabe, a resposta estivesse em seus sapatos marrons,
velhos e impecáveis em seu brilho. Cheios de dignidade.
Ele desceu rapidamente na Consolação,
e eu fiquei sem saber.

Um comentário:

Fabola disse...

Nilva, lindos textos! É difícil elogiar amigos, porque a gente se sente piegas e sabe que amigo crítico e inteligente fica receoso... Mas vai lá, com sinceridade. Me senti lendo uma grande escritora, e depois do seu texto sobre livros de presente, imaginei que presentão acabei de ganhar ao te ler. Continue nos presenteando. Beijos, saudades!